
Título: Criatividade Quântica – Como despertar o nosso potencial criativo
Título original: Quantum Creativity – Walking up to our creative potencial
Autor: Amit Goswani; tradução Cássia Nasser, Marcelo Borges
Editora: Aleph
Ano: 2008
Formato: Brochura 16×23cm
SUMÁRIO
Parte 1 – Uma Perspectiva integral da Criatividade
01- Esta é a montaria que os criativos cavalgam: o quantum, o quantum, o quantum
- Criatividade e preparação para o século XXI
02- Criatividade, visões de mundo e integração
– A perspectiva material realista e a classe mecanicista de teorias da criatividade
– A perspectiva organicista e a classe organicista de teorias da criatividade
– A metafísica idealista e a classe idealista de teorias da criatividade
– Um campo para a integração?
– Os pontos polêmicos: um debate imaginado
– A física e sua visão de mundo
– Uma perspectiva integrada e uma teoria integral da criatividade
03- A essência da criatividade
– O que há de novo?
– Do tijolo ao vestido vermelho: o contexto da criatividade
– Exemplo: o problema dos nove pontos
– Exemplos de criatividade fundamental: Guernica, de Picasso, e o átomo de Bohr
– Exemplos de criatividade situacional
– O processo na criatividade
– O processo criativo a longo prazo
– E o método científico? Um diálogo com um aficionado no método científico
04- Criatividade interior
– Criatividade em crianças
– Criatividade interior em adultos: espiritualidade criativa
– Criatividade interior na interpretação
– Criatividade interior no relacionamento
– Religião e moralidade: criatividade interior no nível situacional
– O esplendor quádruplo da criatividade
Parte 2 – Criatividade Quântica
05- Continuidade e descontinuidade
– Descontinuidade na criatividade
– A descontinuidade na descoberta da gravidade de Newton
– Entendendo a descontinuidade
– Experimentos com golfinhos
– Dando o salto quântico
06- De onde vêm as idéias criativas?
– Criatividade e matemática
– Verdade absoluta e relativa
– Beleza
– Transcendência e não-localidade quântica
– Brainstorming
07- Quem cria?
– Auto-referência
– Como o gato de Schrödinger torna-se o cão de Pavlov
08- Significado, mente e caos
– Solucionando o problema do dualismo
– A natureza quântica do pensamento
– Cognição é recognição
– Por que os objetos mentais das experiências são particulares
– Caos na criatividade
– Dinâmica do caos
– A dança de Shiva
– As descobertas de Piaget sobre o desenvolvimento infantil
– Os selves quântico/criativo e clássico/determinado
– A mente é cérebro? Dados empíricos
09- A importância do processamento inconsciente
– A importância do processamento inconsciente
– Criatividade e o experimento da fenda dupla
– Processamento inconsciente e o quantum: dados
10- Propósito e liberdade na criatividade
- A deliberação da criatividade
- Descontinuidade, propósito e liberdade
- O cosmo criativo e o propósito cósmico
- Personalizando o propósito do universo
- Criatividade na liberdade e liberdade na criatividade
- A criatividade quântica até agora
Parte 3 – O Encontro Criativo
11- O encontro criativo
- O self quântico e o ego
- O encontro no estágio preparatório: desestruturando
- Busca e entrega alternadas: transpiração e inspiração
- O insight ah-ha
- Um Big Bang ou muitos pequenos bangs?
- O encontro na manifestação
12- Insight e o processo na criatividade científica
- Paradigmas e mudança de paradigmas
- O processo criativo na ciência
- Exemplo histórico: Darwin
- Exemplo histórico: Einstein e a relatividade
- Conversa com um jovem cientista
13- Criatividade nas artes
- Insight repentino e processamento inconsciente
- Paradigmas e mudanças de paradigma nas artes
- Originalidade nas artes
- A importância do processo
- Exemplo histórico: Guernica, de Picasso
14- O processo na criatividade interior
- Preparação inicial
- Trabalho e incubação alternados: vontade e entrega
- O encontro na criatividade interior
- Mini-insights e grandes insights
- Manifestação
- Será que a criatividade interior termina com o despertar de buddhi?
- O processo na criatividade interior: um resumo
- A criatividade interior conduz à libertação?
Parte 4 – Gênio? Ou Qualquer Um Pode Ser Criativo?
15- Será a criatividade uma questão de traços de personalidade?
- O significado da pesquisa de MacKinnon
- Pensamento divergente
- E o que dizer dos genes e do cérebro?
- Algumas observações conclusivas sobre teorias dos traços de personalidade
16- Criatividade, condicionamento precoce e desenvolvimento
- Da universalidade ao indivíduo criativo
- Criatividade e nuança
- Transcendento o conflito e a ambivalência
- Por que nem todos são criativos? A perspectiva do desenvolvimento
17- Criatividade e o inconsciente
- Será que a criatividade é um impulso do inconsciente?
- Impulsos psicológicos inconscientes como guia de nossas ações
18- Acaso e sincronicidade na criatividade
- Quando Jane conhece Khishna: um encontro criativo
Parte 5 – Preparação para o Século XXI
19- Polarização culturais
- Criatividade no Oriente e no Ocidente
- Integração
20- Criatividade e você
- O ato de equilíbrio
- Quão aberto é o seu ego?
- Discussão sobre o questionário
21- Despertando para nosso potencial criativo: o que podemos fazer?
- Como você pode praticar a criatividade?
- A prática de mente aberta, percepção e sensibilidade
- A prática da concentração
- A prática da imaginação e do sonho
- Trabalhando com arquétipos
- Criatividade e loucura: trabalhando com o arquétipo da sombra
- Crise pessoal, ética criativa e a oportunidade de transformação
- A prática da ética
- A visão mutável
22- Rumo a uma sociedade criativa
- Ensinando criatividade nas escolas
- Intuição, imaginação e inspiração
- O papel dos professores
- A barreira social contra a criatividade
- O propósito das ciências sociais
- Criatividade na economia e nos negócios
- A sociedade ética
- Criatividade harmônica
- Para concluir
RELEASE
A criatividade quântica é revelada por meio da pesquisa de Amit Goswani que tem por objetivo desvendar se todos somos criativos ou se só alguns beneficiados. Sua hipótese é de que todos temos a capacidade de desenvolver o lado criativo seguindo algumas premissas. Ele fundamenta sua teoria baseando-se na física quântica e afirma que
[...] Nossas idéias criativas são resultado do jogo da consciência, que é o único jogo real. Contudo, as sombras – lembranças – dessas idéias criativas na mente dão origem ao condicionamento – uma tendência a repetir. [...] (p.27)
Essa tendência à repetição está relacionada à física clássica newtoniana em que
[...] O futuro é determinado pelo passado. Nesta filosofia há espaço apenas para a criatividade limitada, baseada em uma repetição do passado. (p.27)
Contudo, a física quântica lançou a descontinuidade e a indeterminação no cenário da física. Desde o início, a física quântica inclui saltos quânticos descontínuos para os quais não é dado nenhum algoritmo. [...] (p.27)
Porém, se as possibilidades quânticas forem reprimidas, o que vai prevalescer é o “comportamento condicionado”. (p.31)
O autor explica que
[...] De acordo com a Segunda Lei de Newton do Movimento, se soubermos a posição e a velocidade iniciais de um objeto, as chamadas condições iniciais, então uma suposição de continuidade – que o movimento é contínuo no tempo e no espaço – e um conhecimento das forças que atuam no objeto nos permitem calcular todos os movimentos futuros e passados do objeto. Assim, se o mundo consiste apenas de objetos materias, as condições iniciais dos objetos do mundo determinam o seu futuro: tudo tem uma determinação causal a partir do passado. [...] (p.43)
Entretanto, os estudos do universo quântico, ou seja, de objetos microscópicos, ultrapassam o determinismo da física clássica, pois impera a indeterminação, a incerteza.
[...] Para os objetos microscópicos, constatamos que os pincípios fundamentais do realismo material – continuidade, determinismo e localidade – estão em conflito direto com os dados experimentais. [...] (p.44)
A lei quântica é baseada em probabilidade, isto é, “preve apenas as probabilidades de que determinado evento ocorrerá.” Ela se apresenta como “ondas de probabilidade – uma sobreposição de possibilidade.” (p.44)
Por sobreposição entende-se que todas as possibilidades estão ocorrendo ao mesmo tempo, até que apenas uma única se torne a real por meio de um evento chamado colapso. Entretanto, para que ocorra tal colapso é preciso um observador que escolha entre as infinitas possibilidades. Segundo o autor, baseado em seus estudos e de outros pesquisadores,
[...] é a consciência, nós, que reconhece e escolhe a única faceta imanente das muitas possíveis em um evento observado. [...] (p.45)
Se aceitarmos a realidade seguindo a teoria determinística, não temos total liberdade para criação, uma vez que idéias são provenientes de causas passadas. Já, se aceitarmos a idéia indeterminística, temos o poder de criação, por não sermos máquinas determinadas.
[...] O mundo não opera exclusivamente na forma determinística, preso ao seu condicionamento passado. Depois de cada mensuração, o sistema quântico no cérebro regenera-se e abre às possibilidades. Quando é livre para agir no self quântico, tem-se, a cada momento, acesso a novas possibilidades. o mundo quântico da ciência idealista é criativo em sua essência. (p.160)
Mas as duas aceitações são cabíveis em abordagens diferentes, pois, segundo o autor:
[...] temos dois tipos básicos de criatividade: situacional e fundamental. A criatividade situacional pertence à solução de novos problemas por meio da combinação de idéias antigas. A criatividade fundamental pertence à verdadeira originalidade da qual apenas a consciência, em sua liberdade não condicionada é capaz. (p.50)
Enquanto que para contactarmos a criatividade situacional é preciso bagagem, vivência, conhecimento de mundo e fatos para se fazer correlações e chegar a uma manifestação diferente com “a possibilidade de um novo significado e valor” (p.53), mas não totalmente nova; a criatividade fundamental ocorre quando
[...] a manifestação de alguma coisa nova em um novo contexto de valor por meio de um processo que abrange a descontinuidade. (p.52)
Boa parte das vezes estamos em contato com a criatividade situacional, mas de repente nos deparamos com um acontecimento que exige mudança nos padrões, pois os antigos não atendem a esta nova necessidade é quando é preciso “ampliar a fronteira além do contexto existente.” (p.55)
[...] a primeira regra do criativo é: se o antigo contexto não estiver funcionando, procure outro. Além disso, às vezes, a criatividade é simples: basta entender que tudo que não for proibido é permitido. (p.55)
Segundo o autor, citando Graham Wallas, o processo criativo passa por quatro etapas: (1) preparação: é quando surge o problema e com ele os pensamentos, indagações. É o momento de soltar a imaginação indiscriminadamente, sem repressões ou julgamentos; (2) incubação: é hora de relaxar a mente, descansar; (3) iluminação ou insight: é o momento surpresa do “ah-ha”, o momento eureka; (4) verificação ou manifestação: é hora de analisar a que conclusão se chegou, se funciona de fato.
A preparação começa com uma intuição, um sentimento vago sobre um possível problema. [...] (p.61)
A preparação é momento em que a “pergunta inquietante” que opera. Goswani cita que, segundo o psicólogo Carl Rogers,
[...] a preparação também siginifca cultivar uma mente aberta, uma desestruturação do(s) sistema(s) de crença(s) existente(s) que abre caminho para a aceitação do novo. [...] (p.61)
Já a incubação está mais relacionada às “atividades mentais conscientes ou inconscientes.” (p.61)
[...] Externamente, podemos igualar incubação ao relaxamento – “sentar em silêncio, sem fazer nada” -, ao contrário da preparação, que é trabalho ativo. (p.61)
Antes de ocorrer a iluminação, o ah-ha, é quando se dá a descontinuidade. Por fim, como o próprio nome diz, a manifestação é a “novidade manifestada.” (p.62)
Os dois primeiros processos podem ser associados ao modelo newtoniano, mas “incubação e insight, são estritamente quânticos.” (p.139)
Segundo o autor, existem dois tipos de criatividade: a exterior e a interior.
[...] Criatividade exterior refere-se àquela que gera produtos objetivos no cenário externo. Criatividade interior engloba a tranformação criativa do self e gera um produto subjetivo, ainda que discernível. [...] (p.68)
A criatividade exterior está relacionada à produtos de acesso público, enquanto que a interior é relacionada mudança individual, não envolvendo outras pessoas, e sim, a um entendimento e evolução pessoal.
Há uma relação de dependência entre os parâmetos interno e externo, não estão dissociadas. Uma não tem como existir sem a outra.
[...] há também uma evolução de movimento interno, criatividade interior, porque o desenvolvimento externo depende do crescimento interno. Por sua vez, o externo contribui com novos contextos para o crescimento interno. Os desenvolvimentos são mutuamente dependentes. (p.75)
Experiências internas são vividas individualmente e são particulares, diferente dos externos que podem ser compartilhados com terceiros. Mas, um objeto externo gera eventos diferentes para cada pessoa, pois ela carrega consigo suas experiências, suas percepções sobre as coisas, desde modo, pensamento não podem ser compartilhados.
Para que esses eventos ocorram é preciso estar consciente dos fatos, entretanto,
[...] A conciência precisa do cérebro, com a sua dinâmica hierárquica entrelaçada, para causar colapso na função de onda do duo mente-cérebro correlacionado. (p.126)
Entende-se por entrelaçamento a não-hierarquia, isto é, não existe um dominante, por exemplo: quem vem primeiro, o ovo ou a galinha?
O cérebro também “obedece à dinâmica do caos.” Isto que dizer que tem a capacidade de se adaptar à novas condições. (p.127)
[...] Mas a tendência do cérebro é fazer o de sempre. De alguma forma, esses hábitos têm de ser desestruturados e estruturados novas respostas no cérebro antes que um salto quântica criativo da mente possa sofrer colapso. (p.127)
O sistema caótico é determinita, mas é também um sistema “altamente sensível às condições iniciais”, isto quer dizer que o comportamento futuro não é previsível.
[...] A imprevissibilidade dos sistemas caóticos surge de uma dinâmica não-linear. Para a dinâmica linear, um somatório de causas produz um somatório correspondente de efeitos. Para a dinâmica não-linear, a relação causa-efeito não é tão ordeira e previsível. [...] (p.127)
Entretanto, em meio a desordem, existe a tendência de haver uma nova ordem. Nessa desestruturação, para um novo rearranjo é preciso estar com a mente aberta para que haja o insight.
[...] A criatividade e a liberdade são praticamente inseparáveis. [...] a liberdade é um aspecto fundamental da criatividade. (p.157)
A mente só fica em estado de liberdade quando rompe com o “ego e as prioridades que ele tem”. (p.161)
Contudo, tecnicamente, para haver criatividade é necessário interação entre o ego e o self quântico. O ego se encarrega de tornar as coisas conscientes e manifestá-las, enquanto que o self quântico busca o novo.
[...] é na modalidade quântica que entraremos em contato com o que é novo. Nosso self quântico é que nos comunica a novidade, sentida como uma intuição no nosso ego egóico. [...] (p.173)
A interação entre ego e self, manifestada por meio da intuição é entrelaçada, sem hierarquia.
[...] A interação entrelaçada entre intuição e preparação acaba levando à desestruturação do antigo e dálugar à outro. (p.174)
<RELEASE NÃO CONCLUÍDO>
