Quem somos nós?

16 09 2008

 

 

 

 

 

Título: Quem Somos nós? – A Descoberta das Infinitas Possibilidades
Título original: What the Bleep Do We Know?
Autores: Willian Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente; tradução de Doralice Lima
Editora: Prestígio Editorial
Ano: 2007
Formato: Brochura 17×24cm

 

SUMÁRIO

- As grandes perguntas
- Ciência e religião
- A mudança de paradigma
- O que é realidade?
- Visão e percepção
- A física quântica
- O observador
- A consciência
- O domínio da mente sobre a matéria
- A consciência cria a realidade
- Eu crio minha realidade?
- Por que não somos magos?
- O cérebro quântico
- Introdução ao cérebro
- Emoções
- Dependências
- Desejo > Escolha > Intenção > Mudança
- Intervalo com Betsy
- O outro lado dos paradigmas
- O emaranhamento
- A superposição final
- Epílogo: um banquete quântico
- A história de Quem somos nós?
- Colaboradores
- Leitura recomendada

 

RELEASE

Quem somo nós? – A Descoberta das Infinitas Possibilidades tem ligação direta com o filme homônimo, de título orginal What de bleep do we know!?.

O livro faz várias indagações começando pelo capítulo As grandes perguntas. Segundo os autores, perguntas geram “grandes descobertas e revelações.” (p.3)

[...] Por que continuamos a criar a mesma realidade? Por que continuamos com os mesmos relacionamentos? Por que repetimos os mesmos empregos o tempo todo? Nesse mar infinito de potencialidades em torno de nós, por que continuamos a criar as mesmas realidades? (p.8)

A tese do livro se apoia na idéia de que nem tudo que pensamos ser matéria, realmente é, pois, segundo grandes cientistas:

[...] Se investigarmos bem a fundo a matéria, ela desaparecerá e se transforma em energia incomensurável. Se seguirmos o exemplo de Galileu e procurarmos descrevê-la matematicamente, descobriremos que o universo não é nada material! O universo físico é essencialmente não-físico e pode se originar de um campo ainda mais sutil que a própria energia, mais semelhante à informação, à inteligência ou à consciência, do que à matéria. (p.19 e 20)

Seguindo a teoria, já que o mundo é basicamente energia, eles questionam:

A prece promove a cura? É possível afetar a realidade física com a mente? É possível perceber coisas que estejam fora do espaço/tempo? [...] (p.21)

A justificativa é que, primeiramente é preciso se desvencilhar de paradigmas, uma vez que estas são apenas um sistema de crenças; e crença não é prova de nada, é somente uma questão cultural.

O texto se apoia na idéia de que nem todos os fenômenos se enquadram na física clássica (newtoniana):

[...] A teoria da relatividade, a mecânica quântica, a influência dos pensamentos e das emoções sobre nossos corpos, as ditas “anomalias” como percepção extra-sensorial, a cura pela mente, a vidência, a atuação de médiuns e canais, as experiências de quase- morte ou de sair do corpo, tudo isso mostra a necessidade de um modelo diferente, um novo paradigma que incluiria todos esses fenômenos dentro de uma teoria mais abrangente sobre o funcionamento do mundo. (p.25)

A física clássica é a física do material em que somente o que é mensurável é que pode ser considerado real. E só é considerado mensurável elementos percebidos por meio dos cinco sentidos, além disso, deve-se dispensar qualquer forma de subjetividade ou sentimento “e se tornar completamente racional e objetivo.” Os acontecimentos são mecânicos, portanto previsíveis, isto é, a lei da ação-e-reação de Newton. (p.26)

Já a física moderna sugere um paradigma muito diferente da clássica. “[...] o paradigma do conhecimento evolui à medida que as visões antigas se revelam incompletas ou incorretas.” (p.28 e 29)

A física quântica é usada como argumento para diversas ocorrências na vida das pessoas e aborda o tema é abordado com a seguinte questão: “O que é realidade?” A descrição que os autores usam para realidade é:

[...] tem uma aparência quando a examinamos com nossos olhos, e outra quando a examinamos mais a fundo, por meio do microscópio ou do acelerador de partículas. Então, ela se torna completamente diferente, irreconhecível. (p.35)

E os nosso pensamentos, então? Eles são parte da “realidade”? [...] A maioria das pessoas acha que pensamentos e emoções são reais – mas quando os cientistas exploram a “realidade”, eles evitam cuidadosamente falar sobre essas coisas. (p.35)

Os autores citam a afirmação do filósofo alemão Emmanuel Kant: “nunca podemos conhecer a natureza da realidade como ela é.” Isto se justifica porque possuímos limitações cerebrais para percebermos absolutamente tudo, portanto a nossa consciência filtra as informações e o que resta é somente “nossa construção da realidade, elaborada por nossos neurônios. A ‘coisa em si’ nos é oculta.” (p.38)

O cérebro define o que é real, no entanto, por meio de emoções, pois são elas quem “decidem o que é digno de atenção.” (p.47)

Segundo Stuart Hameroff, um dos pesquisadores entrevistados para a composição da obra, afirma que existem duas leis que governam o universo. Quando se trata de nosso cotidiano a lei do movimento, de Newton é que vigora, enquanto que na pequena escala do átomo o controle é assumido pelas leis quânticas.

A mecânica quântica é espantosa até mesmo para os cientistas, pois suas leis vão contra a tudo estabelecido até então, por exemplo: “as partículas podem estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo.” (p.55)

[...] A nova física é mais orgânica e holística: pinta o universo como um todo unificado cujas partes são interconectadas e se influenciam mutuamente. (p.56)

A física quântica tem como princípio a probabilidade, não se sabe ao certo os resultados; além disso o observador tem influência sobre o objeto observado

[...] mas o verdadeiro mistério nisso tudo é que, de dentro desse estoque de possibilidades, a que acontecerá é determinada por alguma coisa que não é parte do universo físico. [...] (p.58)

Por conta destes princípios, as pessoas são as grandes responsáveis pelos acontecimentos (bons ou ruins) em suas vidas, por meio de escolhas e do livre-arbítrio.

[...] se a realidade é somente a resposta às perguntas ou atitudes que mantemos na mente, e se essa resposta está no fim de uma longa cadeia de lembranças, percepções e observações, a questão não é como alteramos a realidade. O surpreendente é por que mantemos nossa realidade. Na resposta a essa questão está a chave para a mudança. (p.73)

A consciência tem a capacidade de interferir nos eventos. Para endosar, o livro (assim como o filme) apresenta a pesquisa do Dr. Masaru Emoto. A pesquisa prova que a intenção é capaz de gerar alterações físicas na água.

Se os pensamentos podem afetar a estrutura molecular da água, o que seus pensamentos estão fazendo à sua realidade? (p.95)

No entanto, o que acaba por impedir muitos dos acontecimentos na vida de uma pessoa é a vitimização, o que acaba por gerar uma rejeição no conceito de que cada um é responsável pela sua realidade.

[...] A vítima diz: ” Essa situação me aconteceu, é injusto e eu não merecia.” Os corolários dessa atitude são: “Pobre de mim. O universo é injusto. O carma é traidor e volúvel.” (p.111)

A pessoa que se vitimiza acredita que a culpa dos acontecimentos não são suas e acaba perdendo a oportunidade de criá-la, mudá-la e “terá de passar inúmeras vezes por essa lição.” (p.112)

Contudo, o universo macroscópico é regido por leis deterministas, portanto para haver alterações no macro é preciso que o microscópico tenha energia para interferência. A energia advém da intenção contínua, é preciso ter foco, deste modo a probabilidade quântica deixa de ser aleatória e a realidade é afetada.

[...] Portanto, não se trata de simplesmente ter uma intenção e ir ao cinema. É manter repetido o desejo, desejo, desejo, foco, foco, foco, o que faz a magia acontecer. (p.188)

A consciência, juntamente com a emoção cria a realidade, mas existem dependências emocionais que resultam em vícios, ou seja:

[...] as dependências emocionais são o motivo de as pessoas continuarem a criar determinada realidade, embora digam “Eu nunca teria criado aquilo“. (p.174)

As dependências são quebradas por meio da mudança, da evolução. (p.178)

Segundo os pesquisadores, é possível mudar, pois o cérebro se reestrutura, possui neuroplasticidade, isto significa dizer que “é possível quebrar as ligações das redes neurais no cérebro, mudar hábitos e ganhar liberdade.” (p.151)

Entretanto, é preciso atentar para as intenções, sobretudo porque:

[...] Se o verdadeiro desejo está sendo encoberto por outro politicamente correto, ou se aquele desejo tem outro subjacente, isto significa que estão sendo ativadas duas redes neurais. [...] para qual deles devemos pressionar o botão de “avançar”? (p.184)

É preciso discernimento, pois muitas das vezes, ao invés de avançarmos pressionamos o botão “repetir”.

 

Considerações finais:
É um livro muito bonito, de excelente qualidade, com páginas ilustradas e em papel couchê, portanto as folhas têm brilho, o que acaba incomodando um pouco os olhos. Porém, o assunto é tão intrigante e tão instigante que é um detalhe q acaba fazendo pouca diferença.
Com excessão de quatro capítulos, todos terminam com “Pense um pouco nisto…” São perguntas q têm por objetivo ampliar nossos conceitos, nos obrigando a pensar. Entre elas:

- Alguma vez vc pensou sobre de que são feitos os pensamentos?
- Você pode dar um exemplo de como seus pensamentos se tornam realidade?
- O que ou quem é o eu?
- O que ou quem é o observador?
- Você está disposto a abrir mão de tudo em seu paradigma atual para realizar esse desejo? Isso é necessário?

O livro trata os conceitos com uma visão mística, holística. Fala sobre o Ser, Deus, religião, ciência, fatos, desejos e realizações. Faz da física quântica seu suporte para as justificativas, além do poder da mente e da consciência.
O cérebro, juntamente com a mente e a consciência, são os meios pelos quais interagimos com o mundo quântico e isto pode mudar sua vida, pode ampliar sua visão sobre as coisas.
Para mim, foi realmente revelador, pois passei a entender diversas coisas do cotidiano. Percebi que sou responsável pela minha vida e que minha ações reverberam por todo o sistema afetando algumas pessoas diretamente (as mais próximas). 
O que parece coincidência, não é. Nós escolhemos… nós pedimos (consciente ou inconscientemente) que os eventos aconteçam. Por conta disso, é muito importante estar concentrado, pois o inconsciente é que pode estar agindo no universo e te pregando uma peça. É preciso ser zeloso com o que pensamos e falamos.
Você leu ou assistiu O Segredo ? Gostou? Se gostou crio que vai gostar ainda mais de Quem somos nós?. Ele é mais consistente, se apoia em ciência tendo como interlocutores cientistas, físicos, médicos e pesquisadores. A mim, parece um material muito mais rico e convincente.
Os autores fazem um convite… que você não acredite indiscriminadamente. Experimente vc mesmo e tire suas conclusões se o que eles dizem é possível, é real…

Baseado nisso… Leia!!! Ou não…


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